Tradição que atravessa gerações, fé que une e sabores que emocionam: é isso que se vive em Otávio Rocha, que neste final de semana será palco da 51ª Festa da Colônia. O evento, que tem sua data para homenagear o Dia do Colono e do Motorista, neste ano, também celebrará os 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul.
A festa inicia nesta sexta-feira (25), com missa, almoço típico, torneios e o ato simbólico da poda da parreira. À noite, o esperado Filó do Jucri reúne música, comidas, jogos e a coroação das embaixatrizes da Fecouva 2026.
A história da Festa da Colônia está ligada à fundação da Associação dos Amigos de Otávio Rocha, criada em 1973. Um dos fundadores da entidade, Floriano Molon, lembra como tudo começou.
— A homenagem ao Colono e Motorista nasceu junto com a fundação da Associação. A Festa caminhou com o crescimento do distrito de Otávio Rocha, festejando e conseguindo união local e com autoridades, para criar a atual infraestrutura comunitária — lembra o historiador.
A atual presidente da Associação dos Amigos de Otávio Rocha, Vera Lucia Rosa, resume o espírito da festa em três palavras: alegria, tradição e hospitalidade. Primeira mulher a ocupar o cargo na entidade, Vera também celebra um momento pessoal especial: o nascimento de seu filho, Miguel anteontem (23), mais uma marca simbólica de renovação e continuidade.
— Para a Festa da Colônia, podemos destacar a alegria, tradição e hospitalidade do evento, celebrando a cultura dos italianos e a união da comunidade. É sempre muito importante mencionar a gastronomia, na qual a festa nos presenteia com o melhor da culinária, um verdadeiro banquete para a alma, e a religiosidade que nos move, onde honramos a nossa história e as nossas tradições, nos lembrando das raízes que nos unem e nos fortalecem — aponta.
Molon destaca que o evento vai além do aspecto festivo.
— Ajudou muito o nosso turismo, a cultura, para a conscientização no geral. A 51ª Festa traz a alegria de antever a sua continuidade, pois foi abraçada pelas quartas, quintas gerações, e se observa a presença sempre dos homenageados e visitantes.
Para Evelyn Visentin Marzarotto, presidente do Grupo de Jovens Jucri, o filó deste ano carrega um simbolismo especial.
— Em uma data tão simbólica como essa, em que celebramos os 150 anos da imigração italiana, o filó se torna ainda mais especial, unindo passado e presente, e mostrando que a herança deixada pelos nossos antepassados segue viva e pulsando aqui em Otávio Rocha — destaca.
Ela ressalta que o evento também se renova e emociona a cada edição.
— A farta gastronomia, a música, a diversão e as brincadeiras que atravessam gerações são o coração do evento. Mas neste ano, um momento ainda mais marcante se soma a essa celebração: a apresentação e coroação das embaixatrizes da Fecouva, que promete tornar a noite ainda mais especial.
Fé expressa em detalhes
Entre os momentos mais comoventes da festa está a decoração do altar da Igreja Matriz, coordenada por Ermelinda Galiotto Dani, agricultora e primeira mulher com carteira de caminhão no distrito.
— Com muito orgulho, entusiasmo e honra, há mais de 10 anos faço a decoração do altar da Igreja Matriz. A cada edição busco trazer algo novo, fazer um trabalho diferente como forma de homenagear o colono e o motorista e relembrar todo o seu trabalho. Diversos produtos, frutas e hortifrutis produzidos na região são colocados no altar, com a participação e colaboração de outros agricultores que trazem suas ferramentas de trabalho e produção — relata Ermelinda.
Filha de Ermelinda, Deise Dani atua há oito anos como tesoureira da entidade e também se dedica à festa. Ela também destaca a importância deste envolvimento coletivo.
— Segundo minha mãe, desde quando era pequena ela já trabalhava no salão e me deixava em cima da mesa em uma caminha enquanto ela ajudava a comunidade. É sem dúvida um momento em que podemos homenagear os nossos trabalhadores da agricultura e da estrada. Desejo que nossas gerações deem continuidade, que se voluntariem.
Ao convidar o público, a presidente Vera reforça que a festa é para todos.
— Venha prestigiar nossa festa, com uma vasta programação. Uma festa para todos os gostos!
Filó, voluntariado e menarosto
O verdadeiro espírito da Festa da Colônia de Otávio Rocha está no encontro e na coletividade. Isso se demonstra em cada tradição, desde a missa e a benção aos tratores até o filó que reúne centenas de florenses e visitantes.
— Mais do que uma festa, o Filó do Jucri une aquilo que temos de mais precioso: a alegria de estarmos juntos, a força da nossa identidade e o desejo coletivo de manter vivas as tradições que nos trouxeram até aqui — destaca Evelyn.
Nos bastidores, o envolvimento voluntário de moradores como Éder Monego é fundamental. Desde os 14 anos, ele colabora com a organização.
— Temos que valorizar nossos antepassados, que vieram para cá fazer do seu trabalho sua forma de existir. Essa é uma festa que foi criada para o colono, em forma de agradecer o trabalho de quem trabalha para trazer o pão de cada dia na nossa mesa — destaca.
Outro momento marcante da programação é o tradicional almoço com menarosto, prato símbolo da Terra do Galo. Ademir Barp, ex-presidente da associação e atual vereador, destaca a força desse costume:
— O almoço com o menarosto é também algo marcante para a nossa festa, pois, além de ser um prato saboroso e acompanhado do melhor da nossa gastronomia, nos faz lembrar e manter vivo um costume trazido pelos nossos imigrantes italianos.
Segundo Barp, o momento representa mais do que sabor.
— O menarosto no dia da Festa da Colônia é sempre especial, pois é preparado com muito carinho pela comunidade e servido para todos que participam da festa, num momento de união e integração. O menarosto, pela sua história e presença nas festas e promoções das comunidades do interior, é hoje reconhecido como prato típico do município. E, oficialmente, Flores da Cunha é a Capital Estadual do Menarosto.
Confira a programação completa.