A história da merendeira Tânia Dal Bó Heberle se mistura com a da comunidade de São João, onde nasceu e vive até hoje. Seu vínculo com a Escola Tiradentes vai além do trabalho diário na cozinha: é uma conexão construída ao longo de décadas, desde a infância até a vida adulta.
— Vai fazer nove anos agora, em junho, que trabalho aqui na escola. E moro em São João faz 31 anos. Na verdade, nasci aqui e depois fui morar em São Marcos, porque meu pai e minha mãe, que também nasceram aqui, se casaram e foram para lá. Meu pai trabalhava na comunidade, na cantina do meu avô, que fica próximo da escola. Eu vinha nas férias, foi onde conheci meu marido. E aí, quando casei, voltei — conta com um sorriso no rosto.
O vínculo de Tânia com a escola se tornou ainda mais forte quando seus filhos passaram a estudar na Tiradentes. Foi por incentivo de um deles que ela decidiu buscar uma oportunidade de trabalho no próprio ambiente escolar.
— A escola entrou na minha vida quando eu casei e tive meus dois filhos. Os dois estudaram aqui. Foi o meu filho que me incentivou a entrar na escola. Ele disse: “Mãe, por que a senhora não tenta? Não custa nada.” Então, eu prestei concurso pela prefeitura, e foi aí que entrei na escola — lembra.
O primeiro chamado, contudo, não foi para a comunidade de São João, e a distância a fez reconsiderar.
— Fui chamada, só que para a (escola) Benjamin Constant. Mas, para o meu deslocamento, eu pensei: é muito longe. Eu podia fazer a primeira recusa, né? E foi o que fiz. Logo depois, a merendeira que trabalhava aqui saiu, e eu fui chamada para a escola da minha comunidade — recorda.
Com o passar dos anos, Tânia pode perceber mudanças na rotina escolar. Ela nota que algumas dificuldades familiares acabam refletindo no comportamento das crianças no dia a dia.
— Quando cheguei aqui, a maioria das crianças era da comunidade. Sempre tem aquelas mais bagunceiras, ainda mais quando estão passando por momentos difíceis. A gente percebe que, às vezes, a criança fica um dia com o pai, outro com a mãe, outro com a avó, e isso acaba afetando o comportamento dela — observa.
A escola é um pilar importante para a comunidade de São João. Ao longo dos anos, muitas gerações passaram por suas salas de aula, e a proximidade com as famílias fortalece ainda mais esse vínculo.
— No começo, a escola funcionava ali na parte do salão (da comunidade), na frente, e em cima de um espaço que era como se fosse um bar da comunidade, com a escola em cima e o bar embaixo. Acho que quem teve filhos estudando aqui deve ser grato por ter uma escola dentro da comunidade. Às vezes, a gente vê crianças que vêm de bem longe, como de São Valentim e outras regiões. Para quem mora mais perto, é uma grande vantagem. São João é uma comunidade que tem uma escola grande, e isso é muito importante.
Desgaste na estrutura
Apesar de sua importância, a escola Tirantes enfrenta desafios estruturais que preocupam a merendeira e toda a comunidade escolar.
— O maior problema que estamos enfrentando agora é o telhado da escola, que tem muita infiltração, e a água acaba entrando. Isso já vem acontecendo há algum tempo. No início, eram só algumas goteiras menores, mas, depois de um temporal com chuva de pedra, as telhas ficaram ainda mais danificadas. Aquelas telhas mais transparentes, que deixam passar a iluminação, estão bastante danificadas — relata.