Diante de todos os problemas enfrentados no cotidiano dos agricultores, é natural que muitos sintam-se desanimados e desmotivados com o dia a dia no campo. Justamente para auxiliar esses produtores e evitar o surgimento de doenças como depressão e ansiedade, o STR de Flores da Cunha e Nova Pádua conta com uma psicóloga conveniada, Andréia Toscan, que é especialista em Psicologia Clínica e pós-graduanda em Transtornos do Neurodesenvolvimento.
Andréia informa que vários estudos nacionais e internacionais mostraram que os trabalhadores rurais estão entre as profissões com maiores taxas de depressão, ansiedade e suicídio nos últimos tempos. Ela traz dados do Ministério da Saúde (2020) que apontam que o suicídio é a terceira causa de morte violenta no campo nos três estados da região Sul.
Além disso, estudos da Fiocruz (2021) e Embrapa (2022) destacam um aumento significativo nos sintomas de ansiedade e depressão entre os trabalhadores rurais.
— Pode-se dizer que este alto índice está relacionado a uma combinação de fatores econômicos, sociais, ambientais e psicológicos como: endividamento e crises financeiras, pressões ambientais e climáticas, isolamento social e falta de apoio, exaustão física e mental, conflitos agrários e pressão por produtividade, entre outros — aponta a psicóloga conveniada.
Os números elevados têm chamado a atenção das autoridades e levado à implantação de ações voltadas à prevenção e tratamento em saúde mental. O Ministério da Agricultura e a Emater, por exemplo, promovem programas e projetos que oferecem palestras, assistência psicológica, entre outros serviços voltados aos produtores rurais e familiares.
— A saúde mental é tão vital quanto a saúde física, e buscar ajuda psicológica pode ser transformador. Alguns motivos são essenciais para procurar atendimento psicológico, tais como: quebra do estigma e reconhecimento da dor; prevenção do suicídio e identificação de sinais; gestão de estresse e ansiedade; evitar que problemas psicológicos se tornem físicos; compreender como a saúde mental afeta os relacionamentos; entender como a saúde mental impacta na produtividade e na tomada de decisões; e buscar apoio em momentos de crise — elenca Andréia Toscan.
Sinal de alerta
O desânimo e a desmotivação são comuns em momentos difíceis, mas o sinal de alerta acende quando eles persistem por um tempo maior e começam a afetar a vida diária, afinal, podem ser indícios de depressão.
— Outros sinais físicos e emocionais que é preciso considerar são: fadiga constante, alterações no sono, mudanças no apetite, dores inexplicáveis, sintomas de culpa ou inutilidade. Também é importante observar se há pensamentos negativos persistentes, preocupações excessivas, falta de esperança e pensamentos de morte ou suicídio — esclarece a psicóloga.
Andréia conclui defendendo a importância de prestar a atenção se o desânimo está tendo impacto na rotina, no trabalho, na socialização e nos cuidados consigo mesmo. A psicóloga frisa que, sempre que os sintomas persistirem, é importante buscar a avaliação de um profissional de saúde mental.